A quartas de final entre Argentina e Suíça ganhou uma segunda camada além da busca de Lionel Messi por outra semifinal de Copa do Mundo: a capacidade da operação de arbitragem da FIFA de esfriar a polêmica que saiu da vitória argentina por 3 a 2 sobre o Egito.

Pierluigi Collina, dirigente de arbitragem da FIFA, fotografado em 2010.
Ilya Khokhlov / Football.ua / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

O tema virou uma das buscas fortes de 9 de julho depois que a federação egípcia e integrantes da seleção questionaram decisões importantes do VAR nas oitavas. A sequência mais discutida envolveu um gol egípcio anulado e acusações mais amplas de que a arbitragem teria favorecido a Argentina. A resposta da FIFA, vocalizada por Pierluigi Collina, foi defender a independência dos árbitros e alertar que acusações sem prova aumentam riscos para os profissionais e suas famílias.

Dentro de campo, o contexto também é pesado. A Argentina sobreviveu ao Egito por 3 a 2, com relatos apontando gols de Cristian Romero, Messi e Enzo Fernandez, enquanto a pressão egípcia no fim transformou os minutos finais em um dos debates mais intensos do mata-mata. A Argentina avançou, mas a discussão não terminou no apito final.

Isso importa antes do duelo com a Suíça porque os suíços têm exatamente o perfil capaz de manter uma arbitragem sob tensão: defesa compacta, posse paciente, disciplina nos minutos finais e conforto em placares curtos. A Suíça chegou às quartas depois de um 0 a 0 e vitória por 4 a 3 nos pênaltis sobre a Colômbia, o que coloca gestão de jogo, acréscimos, cartões e revisões de VAR no centro da análise.

Os números que circulam no debate também ampliaram o interesse dos torcedores. Um levantamento destacou que a Argentina recebeu apenas três cartões amarelos em 59 faltas no torneio, média próxima de um cartão a cada 19,6 faltas. Esses dados não provam favorecimento, mas ajudam a explicar por que a atenção saiu da prévia puramente tática e passou para a consistência em contatos, faltas táticas e lances de área.

Para a Argentina, o risco é emocional e técnico. O time de Messi já carrega o peso de defender o título de 2022 e de atrair arquibancadas globais em estádios norte-americanos. Agora, a equipe de Lionel Scaloni precisa impedir que o ruído sobre arbitragem altere seu ritmo, especialmente contra uma Suíça que aceitará uma partida mais lenta e frustrante.

Para a FIFA, as quartas viraram uma janela de credibilidade. O formato expandido para 48 seleções trouxe mais jogos eliminatórios, mais intervenções de VAR e mais federações com interesse direto em decisões milimétricas. A fala de Collina mirou a proteção dos árbitros, mas o próximo teste é operacional: comunicação clara, critérios consistentes e decisões compreensíveis em tempo real.

O calendário aumenta o peso do momento. As quartas vão de 9 a 11 de julho, com Argentina x Suíça ao lado de França x Marrocos, Espanha x Bélgica e Noruega x Inglaterra em um top oito cheio de estrelas. Nessa fase, um cartão, uma linha de impedimento ou uma revisão demorada pode mudar a chave da semifinal e o humor público do torneio.

O melhor cenário para o jogo seria uma discussão limpa de futebol: Messi e Argentina tentando achar espaços entre as linhas suíças, a Suíça tentando arrastar a campeã para um duelo de poucos eventos, e a equipe de arbitragem quase invisível. Depois da repercussão contra o Egito, talvez a invisibilidade seja impossível. Controle, coerência e calma agora fazem parte da prévia.